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Conhece a ‘Terra dos Dinossauros’ em Minas? Ela tem novo habitante

Postado em 9 de setembro de 2021 por

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*Fonte imagem : Imagem Divulgação*


Pesquisadores identificaram mais um gênero e espécie de aproximadamente 80 milhões de ano, a partir de um dos muitos fósseis encontrados em Uberaba

Uma descoberta importante em Uberaba valoriza ainda mais os estudos científicos e comprova que, além de referência em gado zebu, o município mineiro é a Terra dos Dinossauros, com reconhecimento internacional. Os pesquisadores Thiago Marinho, paleontólogo, e Luiz Carlos Borges Ribeiro, geólogo, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), identificaram um novo gênero e espécie de um pequeno crocodiliforme do período cretáceo superior  – há aproximadamente 80 milhões de anos. “Trata-se da primeira espécie fóssil descrita para a unidade geológica denominada Formação Uberaba, cuja ocorrência se dá principalmente abaixo da malha urbana do município”, explica Thiago Marinho.

Batizado Eptalofosuchus viridi, o crocodilo, originalmente com 40 centímetros e onívoro (alimentava-se de pequenos animais e plantas), já ganhou o mundo nas páginas da publicação científica Cretaceous Research, uma das mais importantes na área de geociências. Fizeram também parte do trabalho os pesquisadores Agustín Martinelli, do Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia (Buenos Aires, Argentina), Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Pedro Candolo, em Uchôa (SP); Giorgio Basilici e Marcus Vinícius Soares, da Unicamp, e André Marconato, da Universidade de São Paulo. 

Segundo o professor Luiz Carlos, que atua no Museu do Dinossauro da UFTM, em Peirópolis, bairro rural de Uberaba, o animal com cerca 40 centímetros de comprimento conviveu com dinossauros herbívoros gigantes, como os titanossauros, grandes dinossauros predadores, como os megarraptores, e pelo menos outras duas espécies de crocodilos, de hábitos carnívoros. O nome Eptalofosuchus viridi faz alusão ao apelido de Uberaba, “a cidade das sete colinas”, e a típica coloração esverdeada da Formação Uberaba. 

Um achado dessa natureza desperta o interesse de crianças, jovens e adultos, ainda mais quando vêm à tona aspectos de destaque. Luiz Carlos conta que o crocodilo viveu num ambiente muito diferente de hoje, com a região cortada por muitos rios responsáveis pela drenagem de vasta extensão. Além disso, perto de Patrocínio, na Região do Alto Paranaíba (a 168 quilômetros de Uberaba), havia, há milhões de anos, um vulcão em atividade. Uma erupção, com posterior processo de decantação, deu origem à Formação Uberaba. Na região, existe também a Formação Marília/Serra de Galga, onde já foram encontradas 13 espécies, mais jovens 11 milhões de anos do que o Eptalofosuchus viridi. Na palma da mão, os pesquisadores mostram a mandíbula do animal, pequeno no porte e gigante em história.

Descoberta

A identificação do crocodilo é recente, mas o achado tem uma longa trajetória. O fóssil foi encontrado em 1966, na escavação de um poço em um posto de gasolina na Zona Sul da cidade, às margens da rodovia BR-050. Na sequência, o material foi entregue à equipe do então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), atualmente Agência Nacional de Mineração. No mesmo ano, o paleontólogo do DNPM Llewellyn Ivor Price recebeu o fóssil, que, a partir daí, foi integrado ao acervo do Museu de Ciências da Terra (MCT), no Rio de Janeiro (RJ).

Fragmento da mandíbula do dinossauro foi encontrado em escavações para uma obra em Uberaba

Em 2016, os paleontólogos Thiago Marinho, do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price, da UFTM, e Agustín Martinelli, do Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia (Buenos Aires, Argentina), em visita ao MCT, identificaram o pequeno bloco de rocha esverdeada contendo o fóssil. Sob empréstimo, o material foi levado a Uberaba e, em seguida, preparado pelo paleontólogo Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Pedro Candolo, em Uchôa. Nessa etapa, conta Marinho, verificou-se que o material se tratava de um fragmento de mandíbula de um pequeno crocodilo com alguns dentes preservados, que ainda não tinha registro naquela formação geológica.

O destino do fóssil, segundo Thiago Marinho, será o MCT. “Adoraria que ele ficasse em Uberaba, mas não pertence à universidade. Nosso objetivo é fazer uma réplica, em resina, além de uma tomografia, para que todos possam ver de perto no museu.” Vale lembrar que o Museu do Dinossauro está fechado às visitação pública desde março de 2020, devido à pandemia.
Formação Uberaba

Apesar de fósseis da Formação Uberaba serem conhecidos há mais de 70 anos, é a primeira vez que uma nova espécie pode ser descrita para essa unidade geológica. Um dos fatores que dificultam a coleta de fósseis nessas rochas se deve ao fato de que a área principal de ocorrência está exatamente abaixo da malha urbana da cidade. Uberaba dispõe de uma legislação municipal que protege o patrimônio paleontológico e não é raro, segundo os pesquisadores, que escavações para a construção civil e aberturas de poços se deparem com fósseis, como ocorreu com essa descoberta. Segundo Thiago Marinho, a divulgação dos resultados é fundamental para o futuro das pesquisas paleontológicas na cidade: “Quando a população toma ciência das ocorrências de fósseis, certamente os olhares para as rochas estarão mais atentos e é aí que novas descobertas vão surgir”.

Eptalofosuchus viridi –  alusão ao apelido de Uberaba, “a cidade das sete colinas”, e a típica coloração esverdeada da Formação UberabaQuando viveu: há cerca de 80 milhões de anosOnde e quando foi encontrado: em 1966, na escavação de um poço em um posto de gasolina na Zona Sul de Uberaba, às margens da rodovia BR-050Características: tinha 40 centímetros de comprimento e se alimentava de pequenos animais e plantas (onívoro).

Fonte: Estado de Minas

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